José Maria de Farias, conhecido como Malu, é uma referência da cultura popular e da negritude em Olinda, com trajetória diretamente ligada ao Maracatu Axé da Lua, onde atua como dirigente e guardião de seus fundamentos. Ativo desde as décadas de 1980 e 1990, participou intensamente de afoxés, blocos afro, grupos de teatro e formações de samba reggae, contribuindo para o fortalecimento da identidade negra na cidade. No cotidiano do maracatu, dedica-se à organização, à articulação coletiva e à preservação dos saberes ancestrais. Em plena atividade, segue como liderança cultural e símbolo de resistência e continuidade da tradição afro-pernambucana em Olinda.
Eraldo José Gomes é um agente da cultura popular de Olinda, com atuação destacada no Carnaval, no artesanato e na preservação do patrimônio cultural. Herdeiro de uma forte tradição familiar ligada às agremiações carnavalescas, é filho de José Miguel Gomes e neto de Zé de Lúcia, fundador do Clube Lenhadores de Olinda. Participou da fundação da Troça Menina da Tarde e, ainda criança, criou a Troça Carnavalesca John Travolta, uma das mais representativas do Carnaval olindense. Paralelamente, desenvolveu reconhecido trabalho no entalhe em madeira, com obras que retratam a identidade cultural da cidade e integram coleções no Brasil e no exterior. Sua trajetória o consolida como referência na continuidade das tradições e na salvaguarda da memória cultural de Olinda.
André Luiz de Melo Neto, conhecido como André do Clarins, é músico e referência na tradição dos clarins no Carnaval de Olinda. Iniciou sua trajetória na década de 1980 em bandas marciais e passou a atuar nos cortejos carnavalescos, integrando o tradicional Grupo Clarins de Olinda, responsável por anunciar a chegada das agremiações. Ao longo de sua carreira, acompanhou diversos blocos, clubes e troças, contribuindo para consolidar o uso dos clarins como marca sonora do Carnaval pernambucano. Sua atuação integra a memória viva dos desfiles e da identidade musical das festas populares de Olinda.
Carlos Alberto Fernandes, conhecido como Carlos da Burra, é uma das maiores referências na arte de condução de bonecos gigantes do Carnaval de Olinda. Iniciou-se ainda criança, aos 14 anos, como manipulador, e consolidou sua trajetória no corpo, na dança e na vivência popular. Reconhecido como um dos mais importantes carregadores de gigantes da cidade, é atualmente o carregador titular do Homem da Meia-Noite, símbolo máximo do carnaval olindense. Ao longo de décadas, deu vida a bonecos históricos como Menina da Tarde, John Travolta, Garoto de Vassoura e outros, imprimindo a cada um estilo próprio e identidade através da dança. Sua assinatura artística é tão marcante que o público reconhece sua presença apenas pelo movimento do boneco. Em plena atividade, sua trajetória reafirma o papel dos manipuladores como artistas fundamentais para a memória, a emoção e a continuidade do Carnaval de Olinda.
Deonice Francisca Conceição da Silva, conhecida como Dona Del do Coco, é compositora, cantora e poetisa de cordel, referência da cultura popular pernambucana nos ritmos do coco, ciranda, forró e samba. Nascida na Zona da Mata Norte e formada na tradição oral e na vivência do campo, construiu uma trajetória autoral iniciada ainda na infância. Atuante no Carnaval, em encontros culturais e festivais, gravou dois CDs e consolidou seu nome no cenário cultural de Olinda e de Pernambuco. Símbolo da força feminina na cultura popular, sua obra preserva saberes tradicionais e mantém viva a memória musical e poética do povo pernambucano.
Dona Janete Hora de Aguiar foi uma das grandes referências do Maracatu Nação Leão Coroado e da cultura popular de Olinda. Integrante da Nação desde 1991, dedicou mais de três décadas ao maracatu e, a partir de 2003, exerceu o papel de Dama do Paço, conduzindo a calunga Dona Izabé com respeito e fidelidade aos fundamentos da tradição. Reconhecida como matriarca do grupo, marcou sua trajetória pela dedicação cotidiana, pelo cuidado com a Nação e pelo compromisso com a preservação cultural. Sua memória permanece como símbolo de afeto, resistência e identidade do Leão Coroado.
Pedro Salomão do Ó, conhecido como Pedro Sapateiro, foi uma das figuras históricas do Carnaval de Olinda e o primeiro porta-estandarte da Troça Carnavalesca Ceroulas de Olinda, função que exerceu por cerca de cinco décadas. Nascido em Igarassu em 1923 e morador de Olinda desde a infância, iniciou-se no Carnaval aos 12 anos e dedicou 77 anos de sua vida às tradições culturais da cidade. Atuou em diversas agremiações tradicionais, tornando-se um dos mais reconhecidos porta-estandartes da história da festa. Em vida, transmitiu seu saber a familiares e aprendizes, deixando um legado que segue vivo nas ladeiras e na memória do Carnaval popular de Olinda.
José Bezerra da Silva, conhecido como Maestro Lessa, foi uma das grandes referências do frevo pernambucano e da música carnavalesca de Olinda e do Recife. Natural de Nazaré da Mata, iniciou-se como trombonista e, a partir da década de 1990, consolidou-se como regente e fundador da Orquestra do Maestro Lessa, presença constante nos cortejos carnavalescos. Esteve à frente de importantes agremiações tradicionais, contribuindo decisivamente para a preservação do frevo de rua em sua forma mais autêntica. Reconhecido como mestre e formador de gerações, manteve-se ativo até seus últimos anos. Falecido em julho de 2025, aos 89 anos, deixou um legado profundo e permanente na história do Carnaval e na memória do frevo pernambucano.
Antônio Tomás de Oliveira foi um dos grandes mestres da arte dos bonecos gigantes e um dos principais construtores do Carnaval de Olinda, com atuação marcante no bairro de Rio Doce. Após carreira na Aeronáutica, dedicou-se integralmente à arte popular, tornando-se referência na criação de bonecos gigantes, alegorias e estruturas carnavalescas. Artista autodidata e formador de gerações, influenciou diversos criadores, entre eles Max Pietro, que hoje dá continuidade ao seu legado. Foi autor da primeira boneca gigante “Rainha”, símbolo histórico de sua trajetória, e teve papel fundamental na descentralização do Carnaval de Olinda, contribuindo para a criação de polos, passódromos e instituições carnavalescas no bairro. Seu trabalho permanece como patrimônio vivo da cultura popular pernambucana.
Maria da Glória Braz de Almeida, conhecida como Dona Glorinha, foi uma das grandes mestras do coco de roda e referência eterna da cultura popular de Olinda. Nascida no Amaro Branco em 1934, neta de pessoas escravizadas, teve sua trajetória profundamente ligada ao Coco Olindense, expressão de identidade, ancestralidade e resistência cultural. Guardiã da tradição oral e formadora de gerações, atuou como liderança cultural e educadora comunitária, fortalecendo o protagonismo das mulheres e a autoestima das comunidades. Seu legado permanece vivo na memória e na prática dos brincantes que mantêm o coco pulsando em Pernambuco.